sábado, 7 de março de 2009

15 de Outubro Parte 9

Estava escondido no armário, observava o corredor por uma fresta, não tinha uma boa visibilidade do fim do corredor, mas conseguia ver o corredor. Ouvi um barulho da maçaneta e depois de algo sendo arrastado. Algo passou rápido pela porta, era vermelho escuro e depois, branco, parecia ser um saco, era grande, velho e, talves, de lona.
As duas formas passaram pela porta e entraram no quarto ao lado do armário no qual eu me escondia, mas algo que eu não havia notado no momento me chamou a atenção. Uma bola branca encima do tapete amarelo escuro do corredor, no momento que a vi senti uma curiosidade absurda. Então, esperei até que ouvisse o som da porta fechando e olhei para fora, não havia ninguém lá, ainda bem, estiquei minha mão, ainda dentro do armário, e com alguma dificuldade, consegui pegá-lo.
Era pegajoso, um pouco rígido, mas mole o sulficiente para ser esmagado. Quando o segurei na penumbra da fresta, era branco e tinha uma área vermelha, eu fui girando ela devagar e quando a girei 180º, eu percebi. Era um olho. Na mesma hora eu o atirei pra longe, senti um nojo, uma repulsa que jamais imaginara ter, senti náuseas e ansias, não conseguia acreditar que segurava um olho um segundo atrás.

Elisa, ao contrário de mim estava do lado de fora da casa olhando para a faixada, esperando por mim e talvés pela outra pessoa que estava lá dentro. Pensava em Paulo, Roberto e principalmente, em Clarissa, mesmo não gostando dela, o fato de a termos deixado para trás a deixava louca.
Uns dez minutos mais tarde Elisa ja começava a ficar irritada com a minha demora, estava quase pensando em entrar na casa e me chamar, ainda bem que não fez isso, porque logo depois eu saí da casa corredo:

- Até que enf.... - tentou exclamar, mas fora interrompida por mim.
- Elisa, não faça nenhum barulho e me siga agora!

Elisa obedeceu, mas hesitando um pouco. Seguimos até algumas lixeiras afastadas e tentei explicar o porquê de tudo aquilo:

- Escuta, quando eu estava lá dentro, eu me escondi num armário e fiquei observando por que achei que poderia ser perigoso.
- E você não falou com a pessoa?
- Não, me deixe falar.
- Certo...
- Assim que a pessoa passou pela porta, parecia estar levando um saco bege muito comprido...
- E daí?
- O estranho não era o saco, mas o que eu vi depois disso. A bola branca, eu peguei uma bola branca do chão, achei que não era nada, mas era um olho...
- Um olho!?
- Isso, um olho e parecia bem fresco, como se tivesse sido retirado agora.
- Deus!
- É melhor nós saírmos daquí, o que eu vou te contar é perturbador e eu não quero que fiquemos aquí tão perto "daquilo".

Fomos até uns dois quarteirões, sempre andando pelas sombras que haviam entre as lâmpadas fracas da rua em que andávamos. Paramos na esquina de uma rua chamada Matheus Mello, a distância desta esquina até a casa era considerável e ainda assim poderiamos ver se alguém saía da casa.
Contei a Elisa os outros ocorridos que sofri na casa, havia um buraco no armário em que estava escondido, um buraco para o quarto em que a pessoa estava. Era imperceptível para ele, mas eu conseguía ver a tudo que havia no quarto. A figura tirou sua capa e a pendurou em um macebo velho e empoeirado que eu acreditava ser de Pau-Brasil, vestia uma camisa ou bata, não sabia identificar, parecia uma roupa saída de um figurino de peça româtica do século VIII, era alto, magro e tinha cabelos negros, havia uma barba também, lembrava um latino de meia idade. O homem vestiu um avental e puxou uma faca de seu bolso, abriu o saco, não consegui ver bem, mas assim que puxou o que estava dentro, minhas suspeitas foram confirmadas. Era um corpo e ele começou a cortá-lo em pedaços.
Era uma cena náuseante, mas mantive-me lúcido o suficiente para conseguir descer pela escada, sair da casa, encontrar Elisa para contar o que passei e fugirmos logo dalí.

quarta-feira, 4 de março de 2009

15 de Outubro Parte 8

Enquanto nossos amigos passavam por estranhos adventos e situações, eu e Elisa estavamos procurando Clarissa, que possivelmente teria gritado.
Aproveitei a chance para tentar me desculpar com Elisa, já que ficamos um pouco afastados depois do último episódio:

- Elisa?
- Hã?
- Eu não queria...
- Não quero falar mais sobre aquilo.
- Mas porque?
- Você ainda pergunta?
- O quê que eu fiz?
- Você nunca vai entender...

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Num raio de 3 quarteirões de onde estávamos, a figura assassina perambulava entre esquinas e becos, procurando por algo.
Não sabiamos nem quem ou o que era ele, muito menos o que estava procurando, aliás, não sabiamos nem que estava procurando algo e ainda que estava tão perto.
Não sabiamos nada, mas sabiamos que tinha algo lá, escondido na noite, espreitando, observando e aguardando. Aguardando um momento de distração ou de fraqueza...
Apenas esperando.

Eu estava andando com Elisa por ruas que não conheciamos, mas ainda assim, tinhamos que procurar Clarissa, que estava desaparecida, mas em algum lugar.
Avistamos ao longe uma forma escura se movimentando rápido no fim da rua, olhando com mais atenção, ela havia parado em frente uma casa, que era grande, amarela e com muitas janelas, era uma casa de muitos quartos.Depois de vermos a figura resolvemos ver se poderia nos ajudar, mas havia uma problema, ela havia entrado na casa.

- Vamos atrás dele? - perguntei.
- Eu acho melhor não. - respondeu Elisa.
- Mas e se ele puder nos ajudar? Foi a primeira pessoa que vimos em 3 horas!
- Eu não acho uma boa idéia, mas se você realmente quiser ir... Vamos.

Andamos até a casa para ver se conseguiamos encontrar a pessoa que avistamos, paramos em frente e alí ficamos. Me passou pela cabeça muito rapidamente que poderia ser Roberto, ou Paulo, mas eu desisti da ideia assim que entrou na casa.

- E ai? não vai entrar? - perguntou Elisa.
- Eh... Bem... Eu...
- Vamos ou não vamos? - insistiu.
- Vamos. - respondi.

Adentramos a casa, era bem velha e escura, tinha algumas armações nas paredes que pareciam ser de quadros, mas os fiapos de tela que haviam nelas dizia claramente que foram roubadas ou retiradas dalí. O corredor era estreito e terminava no pé de uma escada velha e mofada com um armário embaixo, a parede era comberta por um papel verde claro adornado com algumas flores azuis, não tocávamos em nada, apenas andamos por entre os objetos sem fazer nenhum ruído, já que não sabiamos quem era aquela pessoa.Andamos no térreo da casa até que ouvimos o barulho de algo sendo arrastado no andar de cima, bem onde nós estávamos. Minha vontade era de saber o que era aquele barulho, mas não podia deixar Elisa sozinha então tentei convencê-la a vir comigo:
- Elisa, eu vou ver o que houve lá emcima, você vem? - perguntei.
- Não, vai você, eu espero lá fora, não quero esperar aqui dentro. - respondeu Elisa.
- Certo... Tome cuidado. - insisti.
- Eu sempre tomo. - retrucou Elisa.
- Eu sei, mas eu me preocupo com você. - desabafei
- Ah... Eu...- Estou indo. - finalizando a nossa breve conversa.

Elisa saía andando pelo corredor seguindo em direção à porta enquanto eu estava subindo vagarosamente pela escada, estava com medo da escada ruír com o mofo de anos, mas mesmo assim continuei subindo cuidadosamente.Chegando ao segundo andar, notei que o papel das paredes estavam borrados com um tom de vermelho escuro, como se algo tivesse estourado alí, varios quartos haviam na casa, não quanto ao andar de baixo, mas o de cima deveria ter uns 5 ou 6 quartos, mas o quarto que me chamou atenção do andar de baixo era o do fim do corredor, do lado oposto do topo da escada.
O que teria sido aquele barulho que ouvi lá debaixo, vindos do quarto no final do corredor do piso superior?
Avançei um metros, dois, alcançei o terceiro e, quando estava para me aproximar da porta do quarto, um medo, que eu jamais sentira, percorreu minhas costas e a maçaneta em forma de L tremeu, em seguida girou uns 45º. Num rápido, mas silencioso, inpulso, corri para a porta aberta mais próxima, era um armário velho e empoeirado. Me escondi na escuridão, olhando atentamente para o corredor esperando o que quer que fosse aparecer diante dos meus olhos.