
Quando Elisa saiu de seu transe, eu estava quase saindo e procurando ajuda:
- Onde pensa que vai? - resmungou
- Elisa! Você acordou! - exclamei
- Não... Ah esquece. - desistiu
- Mas o que aconteceu que de repente as crianças desapareceram e você desmaiou?
- Eu vi umas coisas.
- Que coisas?
- Vi um homem, umas crianças, um teatro, fogo. Ouvi gritos também.
- Como assim?
- Gritos! Gritos de agonia!
Longe dalí, Clarissa estava escondida num beco atrás de algumas caixas de madeira. Estava a fugir de algo que ela jamais saberia explicar o que era, só sabia que seu medo a fazia ficar em silêncio no qual daria para ouvir seus batimentos cardíacos a de 2 metros.
Na entrada havia uma luz que iluminava uma diagonal do beco, não era claro, mas era o suficiente para notar qualquer movimento vindo de lá.
Clarissa em algum momento perdeu a consciencia de seus atos e entrou num devaneio que a fez se abster do mundo a sua volta, olhando fixamente para um ponto ela estava em um transe completo. Sua respiração era curta e lenta, um estado vegetativo induzido, diante de seus olhos passavam algumas lembranças de sua vida, lembrou de sua mãe, seu pai e seu namorado.
Ela olhou para o alto e viu se de encontro com dois olhos negros, um rosto pálido, um manto escarlate escuro que sussurou:
- Elisa...
E a golpeou na cabeça.
Paulo e Roberto estavam andando pela rua quando ouviram um grito, era Clarissa. Ambos se entreolharam mas nada disseram. O clima era de incerteza, medo, frio, além de ser escuro como a sombra do véu de luto de uma viúva num enterro em noite de lua nova.
Era tenebroso o modo como o vento uivava entre os becos e carros, trazendo consigo um cheiro de borracha queimada e lixo, mas nada disso impedia Paulo e Roberto desviarem sua atenção daquelas aparições estranhas e perturbadoras.
- O que mais poderia aparecer? - perguntou Roberto.
Uma infeliz pergunta, eu diria, ja que o que apareceria a seguir fosse a visão mais terrível que ele sonharia em ver.
Um corpo, que estava pendurado pelos pulsos, em um beco que estava parcialmente iluminado por uma luz fraca, ao lado de uma loja abandonada cujas portas estavam abertas. O corpo era feminino, dava pra notar, estava nua, havia tambem muitos cortes em todo seu abdomem, não deram muita importância entãofocaram sua atenção ao rosto.
- Credo... O que é isso? - perguntou Paulo.
- Não sei, mas acho melhor ligarmos para a polícia. - respondeu Roberto.
- Como? Estamos sem sinal nenhum, lembra? - disse Paulo.
Roberto nada disse pois estava mais interessado no rosto do corpo e ver quem era, quem quer que fosse. Aproximou-se, e quando foi levantar o queixo do corpo para saber quem era, foi interrompido por Paulo que o puxara com força.
- Ma... - tentou exclamar Roberto.
- Shhhh! - disse Paulo baixinho, apontando para uma figura de negro que estava entrando no beco.
Andou sem fazer qualquer ruído, era um andar leveque mais parecia estar flutuando, era ágil, não esbarrou em nada no beco, que era apertado. Encostou no corpo, que tremeu, quase imperceptivelmente. O ser se inclinou na direção do pescoço e pareceu dizer alguma coisa que Paulo e Roberto não puderam ouvir.
- Estou quase conseguindo... Falta pouco. - murmurou - E você... Não pense que eu vou deixar você escapar.
- Mmmm... Mmhmmm!
- Hum? Não entendo, hehe.
- Mmmme... Mmmemmm... Mmmeemmma...
- Fale direito... Não consegue? Até que resolva falar eu vou procurar o resto de seus amigos. - e saiu.
O ser saiu do beco e cinco minutos depois, Paulo e Roberto se sentiram à vontade para se aproximar de novo da mulher que estava pendurada. Roberto que fora interrompido foi o primeiro a levantar a mão para tocar o rosto da milher. Quando seus dedos tocaram a pele semi umida, ela estremeceu.
- Fuja... saia...daquí...salve-se
- Quem é você? - levantando o rosto dela.
Quando levantou seu rosto, ele quase vomitou quando viu a mulher, era Clarissa, mas ela não estava muito reconhecível. Seus olhos, seus olhos não estavam mais lá, não estavam onde deviam estar, restavam agora apenas dois buracos vazios.
- Eu sou Roberto, quem é você?
- Roberto... Eu tenho um namorado com esse nome, eu...
- Você? Ei!
Não ouviu-se mais nada dela. Estava morta.
- Roberto, acho melhor saírmos daquí.
- Quem é ela, ela...- interrompeu-se quando viu uma tatuagem de cobra em seu tornozelo - Clariss...
- Vamos Roberto! - disse Paulo arrastando-o.
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