sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 7


Quando Elisa saiu de seu transe, eu estava quase saindo e procurando ajuda:

- Onde pensa que vai? - resmungou
- Elisa! Você acordou! - exclamei
- Não... Ah esquece. - desistiu
- Mas o que aconteceu que de repente as crianças desapareceram e você desmaiou?
- Eu vi umas coisas.
- Que coisas?
- Vi um homem, umas crianças, um teatro, fogo. Ouvi gritos também.
- Como assim?
- Gritos! Gritos de agonia!

Longe dalí, Clarissa estava escondida num beco atrás de algumas caixas de madeira. Estava a fugir de algo que ela jamais saberia explicar o que era, só sabia que seu medo a fazia ficar em silêncio no qual daria para ouvir seus batimentos cardíacos a de 2 metros.
Na entrada havia uma luz que iluminava uma diagonal do beco, não era claro, mas era o suficiente para notar qualquer movimento vindo de lá.
Clarissa em algum momento perdeu a consciencia de seus atos e entrou num devaneio que a fez se abster do mundo a sua volta, olhando fixamente para um ponto ela estava em um transe completo. Sua respiração era curta e lenta, um estado vegetativo induzido, diante de seus olhos passavam algumas lembranças de sua vida, lembrou de sua mãe, seu pai e seu namorado.
Ela olhou para o alto e viu se de encontro com dois olhos negros, um rosto pálido, um manto escarlate escuro que sussurou:

- Elisa...

E a golpeou na cabeça.


Paulo e Roberto estavam andando pela rua quando ouviram um grito, era Clarissa. Ambos se entreolharam mas nada disseram. O clima era de incerteza, medo, frio, além de ser escuro como a sombra do véu de luto de uma viúva num enterro em noite de lua nova.
Era tenebroso o modo como o vento uivava entre os becos e carros, trazendo consigo um cheiro de borracha queimada e lixo, mas nada disso impedia Paulo e Roberto desviarem sua atenção daquelas aparições estranhas e perturbadoras.

- O que mais poderia aparecer? - perguntou Roberto.

Uma infeliz pergunta, eu diria, ja que o que apareceria a seguir fosse a visão mais terrível que ele sonharia em ver.
Um corpo, que estava pendurado pelos pulsos, em um beco que estava parcialmente iluminado por uma luz fraca, ao lado de uma loja abandonada cujas portas estavam abertas. O corpo era feminino, dava pra notar, estava nua, havia tambem muitos cortes em todo seu abdomem, não deram muita importância entãofocaram sua atenção ao rosto.

- Credo... O que é isso? - perguntou Paulo.
- Não sei, mas acho melhor ligarmos para a polícia. - respondeu Roberto.
- Como? Estamos sem sinal nenhum, lembra? - disse Paulo.

Roberto nada disse pois estava mais interessado no rosto do corpo e ver quem era, quem quer que fosse. Aproximou-se, e quando foi levantar o queixo do corpo para saber quem era, foi interrompido por Paulo que o puxara com força.

- Ma... - tentou exclamar Roberto.
- Shhhh! - disse Paulo baixinho, apontando para uma figura de negro que estava entrando no beco.

Andou sem fazer qualquer ruído, era um andar leveque mais parecia estar flutuando, era ágil, não esbarrou em nada no beco, que era apertado. Encostou no corpo, que tremeu, quase imperceptivelmente. O ser se inclinou na direção do pescoço e pareceu dizer alguma coisa que Paulo e Roberto não puderam ouvir.

- Estou quase conseguindo... Falta pouco. - murmurou - E você... Não pense que eu vou deixar você escapar.
- Mmmm... Mmhmmm!
- Hum? Não entendo, hehe.
- Mmmme... Mmmemmm... Mmmeemmma...
- Fale direito... Não consegue? Até que resolva falar eu vou procurar o resto de seus amigos. - e saiu.

O ser saiu do beco e cinco minutos depois, Paulo e Roberto se sentiram à vontade para se aproximar de novo da mulher que estava pendurada. Roberto que fora interrompido foi o primeiro a levantar a mão para tocar o rosto da milher. Quando seus dedos tocaram a pele semi umida, ela estremeceu.

- Fuja... saia...daquí...salve-se
- Quem é você? - levantando o rosto dela.

Quando levantou seu rosto, ele quase vomitou quando viu a mulher, era Clarissa, mas ela não estava muito reconhecível. Seus olhos, seus olhos não estavam mais lá, não estavam onde deviam estar, restavam agora apenas dois buracos vazios.

- Eu sou Roberto, quem é você?
- Roberto... Eu tenho um namorado com esse nome, eu...
- Você? Ei!

Não ouviu-se mais nada dela. Estava morta.

- Roberto, acho melhor saírmos daquí.
- Quem é ela, ela...- interrompeu-se quando viu uma tatuagem de cobra em seu tornozelo - Clariss...
- Vamos Roberto! - disse Paulo arrastando-o.

.....

sábado, 7 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 6

Estava muito claro, estava o suficiente para fazer com que Elisa não conseguisse enchergar nada, mas aos poucos, seus olhos se acostumavam à luz e tudo ficou mais nítido. Ela tentou chamar meu nome, mas não conseguia, seus lábios se mechiam mas sua voz não saia. Desesperada, ela olha para todos os lados, procurando um rosto amigo, em vão. Notara que estava em um teatro, era grande, tinha dois andares. Ao fundo ouvia-se o som de algumas pessoas falando, parecia um diálogo, uma encenação:

- Ora essa seu canalha!
- Como ousa?
- Ouso o que quiser e não finja que o que fez foi melhor do que fiz.
- E o que eu fiz?
- Matou o prefeito, ou já esqueceu?
- E você?
- Escondi a filha dele.
- Que acabou sendo assassinada!
- Mas não sabem quem a matou!
- Eu te digo quem foi, fui eu, eu a matei porque ela sabia dos planos do pai e isso me daria muitos problemas.
- Foi você, maldito?
- Sim, e agora nada podera impedir o retorno do Deus das Trevas e que toda essa vila desapareça com esses crentes desgraçados e abandonados por Deus. Que se inicie o Fim!!!

E abaixam-se as cortinas.

Elisa observara tudo em silêncio, não conseguia se quer se comportar em uma situação como a que estava vivenciando.
Um grupo de crianças passou por ela, uma das crianças a fitava, como se soubesse que ela estava lá. Então a criança perguntou:

- Quem é você?

Elisa que ia responder fora interrompida.

- Eu sou o ator que fazia Demheos.
- Qual era o Demheos?
- O malvado.
- Ah...você não parece ser malvado.
- E não sou, até mais garoto.

Elisa não havia notado, mas no segundo andar no lado oposto havia um homem. Um homem, obsvervando. A cena se dissipa e agora o homem esta de frente ao grupo de crianças e diz:

- Olá crianças. - disse o homem
- Olá Senhor. - responderam as crianças.
- Quem é você? - perguntou uma delas.
- Eu sou seu guia de hoje pelo museu do teatro, meu nome é Raul Rissot. - disse o homem.

Mais uma vez a cena transformou-se e uma nova apareceu. Desta vez o teatro estava pegando fogo e as crianças não conseguiam fugir. O homem que se dizia chamar Raul Rissot estava no segundo andar, observando e sorrindo, ouvindo os gritos de agonia que iam diminuindo com o tempo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 5

...
- Eu juro Paulo! Era ele! A coisa que eu tinha visto quando estava procurando o mecânico.
- Seja razoável Roberto, não existe isso de imortalidade!
- E se existir Paulo? E se tiver um imortal psicopata atrás de nós?
- Espero que você esteja enganado, então...

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Eu já estava ficando incomodado com Clarissa e Elisa, que ja estavam a ponto de se atacarem.
Mas o clima era tão pesado que uma delas resolveu cortar o silêncio:

- Vou dar uma volta. - disse Clarissa.
- Humpf... - resmungou Elisa.
- Certo, só não vá muito longe ein? - adverti.
- Tá - confirmou Clarissa.
- Elisa? - chamei.
- Não quero conversar. - respondeu.
- Mas Elis...
- Nada de "mas", eu não quero falar com você agora.

Momentos mais tarde, após uns cinco minutos de pequenos diálogos, nos quais eu sempre acabava perdendo para minha falta de iniciativa, ouvimos algo que parecia ser uma voz trêmula e depois um:

- AAAAAAAAH!!! - um grito fora ouvido e ficamos sem reação.

- Que foi isso? - perguntei.
- Não sei, foi um grito, mas terá sido...? - perguntou-se Elisa.
- Espero que não. - respondi.
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- NÃO! NÃO! SOCORRO!
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- Só é ela - disse Elisa
- Ok, certo, eu vou lá e você fique aqui! - disse quase correndo em direção aos gritos.
- Eu é que não fico sozinha aqui. - respondeu Elisa me seguindo.

Corremos até onde acreditavamos virem os gritos, mas nada encontramos.

- Eu ouço vozes! - disse Elisa.
- O que? - perguntei.
- Vozes! Estou escutando milhares, como se fossem criança.
- Denovo essas vozes de crianças?
- É!

Foi então que vimos, iluminado por uma lampada, um grupo de crianças andando e correndo entre os carros estacionado às beiras das calçadas.
Elisa quis ir na direção delas, mas percebeu que eram crianças diferentes das habituais, eu podia sentir isso, elas não faziam barulho, nem quando pulavam.
Então uma delas virou seu rosto em nossa direção, e em seguida parecia que todas haviam nos percebido, então eu disse:

- Elisa, devagar, volte, sem fazer movimentos bruscos.
- Mas o que há? São só crianças!
- Não, por favor, não acredite que são crianças normais.

Então uma delas avançou até um ponto em que a luz iluminava seu rosto, mostrando o que realmente eram.
Não havia nada lá, eram crianças sem rosto. Elisa que estava querendo se aproximar parou de tentar me convencer e lentamente voltamos por onde viemos.
Não sabia ao certo quantos quarteirões haviamos andado, mas ja tinhamos certeza de que estavamos andando muito mais do que deveriamos.
Elisa disse que deveriamos virar à esquerda na próxima rua, mas ao chegarmos lá, nos deparamos com o mesmo grupo de crianças, que desta vez não estavam mais a correr entre os carros, estavam agora, ao que parecia, nos esperando. O medo daquela cena era tão grande que decidimos seguir pelo outro lado, mas quando olhamos para onde iriamos seguir, vimos as crianças, que estavam mais próximas, como se nós haviamos andado na direção delas...

- O que vocês querem de nós??? - gritou Elisa.

Então uma das crianças andou em nossa direção e estendeu a mão para Elisa.

- O que? Você quer que eu segure sua mão? - perguntou Elisa.

A criança respondeu positivamente com a cabeça e Elisa obedeceu.
Então Elisa viu passando na frente de seus olhos a história trágica de um acidente ocorrido 5 quilometro dalí, no teatro em que havíamos saído...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 4


- Roberto?
- Fala.
- Pare um pouco de andar.
- Porque?
- Acho que estou ouvindo alguma coisa.
- Hã?
- Escuta

Slishsslashsslishsslashsss......

- Parece o som de um arrasto...
- Algo se rastejando?
- Algo deslizando.Acho que não é nada. Roberto, tem algo que eu quero te contar, vi ha pouco, antes de nos encontrarmos.
- Sério? O que foi?
- Uma mulher.
- Que tem essa mulher?
- Ela estava dilacerada e apontando para lá - apontou para a esquerda de onde estavam - ela parecia querer dizer alguma coisa, mas parece que algo a impediu e a única coisa que ela conseguiu dizer foi "Salve-se".


Neste momento as luzes começaram a piscar novamente, Paulo começou a se encolher, Roberto não sabia o que esperar e empunhou a barra de ferro esperando o que fosse.
Derrepente houve um clarão e Paulo e Roberto se viram em uma rua antiga, cuja calçada era de paralelepípedos, não era se quer asfaltada.

- Paulo! O que aconteceu?
- Não sei, mas... olhe! É aquela mulher! A que eu falei!
- Mas ela não parece dilacerada.
- Tente tocar neste poste aí.
- Não dá.
- Tudo bem, vamos seguir ela, quero saber quem é ela.


- Carla! Já chega, você sempre atrasa para começar o trabalho! Não quero mais você trabalhando na minha loja! - gritou o homem.
- Mas, eu preciso do dinheiro! Minha irmã esta doente! Ela precisa de remédios!
- Então vá procurar na pensão da Rosália! Uma moça com seus dotes deve ser de bom uso.
- Ora seu...
- Vá procurar emprego!


- Parece que ela não era tão bem sucedida - disse Paulo
- É... - concordou Roberto


A cena da briga na mercearia parece que se desnatura dando espaço para outra imagem.
A mulher estava em um quarto, sentada numa cadeira bege com forro verde claro, estava ensanguentada, mas o sangue não era dela, era do homem tentara agredí-la, queria matá-la. Mas esse homem não poderia morrer, ele era um imortal e três dias após seu enterro, ele apreceu na janela de Carla, batendo no vidro com um pequeno gancho pontiagudo.

Adentrou no cômodo de Carla que fugia desesperadamente pela casa de Rosália, mas seu perseguidor era rápido e quando ela tentou descer a escada, o homem enfiou o gancho em seu olho esquerdo e a puxou de volta.

Sentindo uma dor lascinante, Carla tenta gritar, mas seu pavor não a deixa, então tenta acertar a cabeça do agressor com um abajour que havia no seu pequeno campo de visão. Quando ela se aproximou, ele tirou de suas vestes negras diversas facas e atirou contra ela, acertanto-a no peito, boca, abdomem e cabeça.

Quando Carla, já morta, cai, ele usa seu gancho para riscar o rosto de sua vítima. Envolto por uma máscara, seu rosto era desconhecido, não deixava, se quer, saber seus sentimentos, mas Roberto tinha certeza de que era esta a criatura que o havia perseguido momentos antes...

15 de Outubro Parte 3

Roberto jamais havia passado por tanto medo como ele passou nesses momentos em que foi perseguido, e não conseguia mais andar sem olhar para todos os lados procurando por qualquer movimento de algo que queira se aproximar dele.

Três quarteirões da próxima esquina em que Roberto cruzaria, estava Paulo, procurando por ele.
Paulo notara que as luzes por alí estavam um pouco apagadas, com excessão de uma que estava tão acesa que parecia que ia explodir. Quando entrou no raio de luz deste poste, as lâmpadas dos demais começaram a piscar, lentamente, de forma desordenada, Paulo apenas ignorou e seguiu seu caminho, parando de vez em quando para analisar com mais cuidado o chão para não tropeçar.
Em algum momento, Paulo começou a escutar uma respiração pesada, que parecia alguém que havia corrido na chuva por muito tempo e então ele começou a chamar por seu amigo:

- Roberto? É você? - perguntou para a escuridão, sem obter resposta.

o sussurro parecia ficar cada vez mais alto

- Roberto, se isso for uma brincadeira, não esta sendo muito divertida. Roberto?

e então ele sentiu um bafo gelado em sua nuca e com um susto de quem estava prestes a explodir em medo ele se virou.

Nada, não havia nada atrás dele. Teria sido apenas uma brisa no meio da noite? Perguntou-se. Então Paulo voltou para seu caminho e se deparou com uma mulher vestida com roupas brancas, sujas com um mesclado de sangue seco e sujeira.
Esta mulher parecia querer tocar nele, sua forma parecia a de uma pessoa que cai deitada de lado e estica seu braço, seu olhos eram de agonia e sua boca estava fechada e muito cortada.
Paulo caiu no chão sem reação, estava paralisado, mil coisas passavam por sua cabeça naquele instante.
A forma se moveu até ele de uma forma quase inexplicável, seus olhos, com seus vasos bem visíveis, começaram a sangrar, sua boca se retorcia, como se quisesse falar alguma coisa, seu braço tremia violentamente e seu pescoço balançava como Paulo jamais vira um pescoço balançar, as luzes piscavam violentamente e como se fossem um último suspiro, as luzes estouraram e ao fundo podia se ouvir baixinho um pequeno gemido:

- Salve-se.

Paulo estava encolhido no chão quando algo o pegou .

- SAI! ME SOLTA! SAI, SAI SAI SAI!!!! - gritou Paulo.
- Pare de frescura Paulo - disse Roberto tentando contê-lo.
- ROBERTO? - exclamou Paulo.
- Quem mais seria? - indagou Roberto.
- Eu acabei de ver... era uma... era... o que...? Mas...? Estava alí! - apontou Paulo, para um espaço vazio à sua frente.
- Eu também vi alguma coisa, mas não sei do que você esta falando, então fique de olhos abertos! - disse Roberto.
- Eu ouvi alguma coisa antes de você me encontrar... - resmungou Paulo.
- É? Você se lembra? - perguntou Roberto.
- Não, não consigo me lembrar. - disse Paulo.
- Você se sente observado? - perguntou Roberto.
- Agora que falou, sim... - respondeu Paulo.

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- Faltam dez minutos para dar o prazo deles - avisei.
- Vocês estão ouvindo isso? - perguntou Elisa.
- O que? - perguntei.
- Algumas vozes de... crianças, crianças brincando. - falou Elisa procurando a direção do som.
- Não ouço nada. - respondi - E voce Clarissa?
- Hein? O que você falou? - disse Clarissa que estava devaneando sobre Roberto.
- Estou ouvindo vozes de crianças. - repetiu Elisa.
- Ih! Ficou louca - desdenhou Clarissa.
- Ora sua vag...
- Ei ei ei! Vamos parando com isso! - abafei.
- Você pense bem antes de me chamar de qualquer coisa sua CDFzinha... - rebateu Clarissa.
- Sua burra ridícula, não venha você me insultar, sua babaca! - cortou Elisa.
- Eu vou sair daqui, não saí com o Roberto hoje pra ser insultada por você - terminou Clarissa.
- Já vai tarde. - respondeu Elisa.
- Credo!
- E você, não fala nada! - disse em tom de comando para mim
- *

15 de Outubro Parte 2

Depois de se afastar do grupo, Paulo tentou lembrar qual foi o caminho que havia feito. Felizmente, lembrou-se de algumas propagandas havia visto quando passara, mas quando chegou onde acreditava ser o lugar onde o carro parou, não viu Roberto, nem mesmo o carro.
Paulo achava que se Roberto não encontrasse nada ele deveria voltar por onde veio e esperar no ponto de partida, mas obviamente, não foi o que Roberto fez.
Não muito longe dali, Roberto estava ainda procurando por um mecânico, ou alguem que pudesse ajudar a rebocar o carro.

- Mas que coisa, nada aberto, nem mesmo um borracheiro...

Momentos mais tarde, Roberto notou que as luzes por onde vinha passando estavam diminuindo, estava ficando tão escuro que mal conseguiria ver se tinha qualquer coisa na sua frente.
Primeiro, penumbra e algo que Roberto não sabia explicar se realmente via.
No fim da rua, não estava claro, mas havia uma forma escura, longe, mas notável, percebia-se uma forma redonda e pálida sob algo que poderia ser um capuz ou longos cabelos negros. Roberto não saberia dizer se o vulto teria pernas ou braços, mas ele tinha certeza, de que de longe a criatura o avistara e o fitava. Ele sentia os olhos daquilo o encarando e um medo irracional o tomou, congelando-o. E então, escuridão total.






Paulo olhava seu relógio constantemente, ja que ele tinha um pouco menos de uma hora pra estar de volta, nervoso e impaciente, até que resolveu sair a procura de Roberto. Tentou lembrar pra que lado Roberto havia ido, mas foi em vão, não havia prestado atenção a isso naquela hora, então resolveu estender uma busca por cinco quarteirões, combrindo uma área igual nas direções Norte, Sul, Leste e Oeste, uma área de dez quarteirões quadrados e partiu.
Enquanto isso, Eu, Elisa e Clarissa estávamos sentado na sarjeta esperando que Paulo e Roberto voltassem. Clarissa estava tentando fazer seu telefone funcionar, mas parecia que nada o faria sair de seu status anterior. Elisa estava pensando em como ela pôde esquecer de Roberto e "isso nunca deveria ter acontecido", "como pudemos esquecê-lo", entre outras frases sem resposta aparente. Estava tentando acalmá-la, mas parecia que nada a tirava de seu acesso depressivo momentâneo.
O Frio era terrível... E estava bem escuro, mas como estávamos encostados uns nos outros não percebemos sua ação.
Gosto muito de Elisa, mas ela é uma pessoa muito centrada em seus deveres e valores para notar qualquer uma de minhas aproximações, pois bem, aproveitei essa chance para me aproximar dela no sentido de deixar claro que ela poderia se sentir apoiada por mim em qualquer situação, se ela sentisse ser necessário.

- Ah! Obrigado Fernando. - suspirou Elisa quase chorando de agonia.

[ Eu não cheguei a dizer, que eu, o Narrador me chamo Fernando não é? Bom esta será a última apresentação deste conto referente ao grupo]

- Alcalme-se, nervosa você não pensa direito. - disse tentando confortá-la.
- Está certo, tenho que me acalmar. - reestabelecendo-se Elisa.
- Onde já se viu uma mulher forte como você chorando por pouca coisa, logo logo o problema irá se resolver, eu prometo. - disse abraçando-a com força.

Longe dalí, Roberto corria desesperadamente ouvindo um som de rastejo bem atrás de sua nuca quase como um zumbido em sua orelha.
Não tinha coragem de olhar pra trás, apenas corria instintivamente, sua adrenalina transbordava até pelos olhos deixando-os molhados, parecia que chorava enquanto corria, seu medo era algo incomparável com qualquer sentimento que se poderia ter em seu cotidiano.
Tentando pensar em alguma coisa que o fizesse ter coragem e enfrentar esse problema, viu um reflexo que, para muitos passaria aos olhos, mas seus olhos em sua explosão de adrenalina enchergavam quase que nítida uma barra de ferro que parecia ser muito resistente.
Roberto a agarrou, era leve mas parecia sólida, e com seu pé direito freou com tudo e girou esse "bastão" contra o seu perseguidor que supostamente estaria atrás dele.
Acertou algo denso, mas não sentiu um choque, que deveria ser eminente. Isso o deixou um pouco desapontado.
Depois de tanto correr, teve coragem de enfrentar o perseguidor mas este não estava de fato alí.
Mas não deixava de sentir que era observado e isso o deixava muito incomodado...

domingo, 1 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 1

São Paulo, 15 de outubro de 1995.
Era noite e poucas pessoas eram vistas onde tudo começou.
Elisa, uma de nossas amigas, era uma garota um pouco reclusa, mas não introvertida, apenas uma amiga que não gostava de exibir seus credos aos outros, era ruiva e baixa, talvez uns 1,65m.
Clarissa, uma menina um pouco burrinha, por assim dizer, não sabíamos muito dela, era uma loira alta e muito bonita, mas exagerava na maquiagem.
Paulo, um grande amigo meu, sempre me apoiando em decisões, quase um irmão, era alto, e largo, brincava com ele dizendo que era meio gordo, ele não se importava muito com isso.
Roberto, o namorado de Clarissa, era do tipo "ninguém é mais forte que eu", "eu sou melhor que você"...
E eu lógico, por que não me apresentaria? Sou o Narrador e talvez o único de todos que tenha superado o que passamos...
Estávamos todos saindo de uma peça em um pequeno teatro popular que ficava no centro. Era um lugar um pouco decadente, a vizinhança era... Bem, não era das melhores, mas achamos que não havia problema.
Paulo tinha acabado de ganhar sua carteira de motorista, ele foi o segundo do grupo a ter conseguido, já que Elisa já havia conseguido a sua, estava animado e queria dirigir, mas não deixamos.
O que? Deixar esse “novatão” aí dirigir? Eu é que não entro no mesmo carro que ele.
Elisa dirigiu, eu na frente junto com ela e os outros três atrás.
Andamos uns 3 quilômetros e o carro parou.

- O que houve? - perguntei.
- Porque o carro parou? - Roberto perguntou.
- Eu não se... A gasolina...Acabou. – surpreendeu-se Elisa.
- Como acabou? - indagou Paulo.
- Não sabe que pro carro anda tem que ter gasolina? - disse Clarissa ironizando.
- Fica na sua aí Clarissa, eu abasteci 10 minutos antes de nós sairmos - retrucou Elisa.
- Mas como pode estar no zero? - perguntei.
- Não sei, mas eu quero ver embaixo do carro. - disse Paulo.
- Enquanto isso não acha melhor ligar para CET? - perguntei.
- Ok, eu ligo. - disse Roberto.
- Ih gente, vocês não vão acreditar. - disse Paulo.
- O que houve? - perguntamos.
- Tem um buraco do tamanho de um ovo no tanque de combustível. - explicou Paulo.
- E tem mais, estou sem sinal. - disse Roberto.
- Você queria o que com esse seu tijolo da BCP? - disse Clarissa sacando um telefone não muito menor da bolsa - O meu é mais moderno. Veremos o quão superior é o meu. - acrescentou.
- Eu vou ver se tem algum posto de gasolina ou mecânico aberto por aqui. - disse Roberto.
- Certo, mas tome cuidado pra não ficar em lugares escuros sem alguém perto hein? - disse Elisa.
- Ok, vejo vocês mais tarde. - despediu-se Roberto.
- "Sem sinal”? Como assim? Eu comprei essa droga porque ela me pareceu ser confiável! - desabafou Clarissa.
- Se é assim, acho melhor deixarmos o carro por aqui e voltarmos a pé, amanhã voltamos aqui com um guincho. - disse Elisa.
- Tem algum Metrô por aqui? - Paulo perguntou como quem não queria andar muito.
- Não - respondi.
- Vamos a pé mesmo, vai demorar mas é melhor que dormir na rua. - disse Elisa, tentando dar motivação a todos.
E voltamos a pé até que percebemos que havíamos esquecido Roberto.
Elisa ficou preocupadíssima e queria que todos voltássemos e procurássemos ele, mas Paulo não queria isso, disse que seria melhor que todos seguissem e que ele fosse buscar Roberto.
Eu não fui contra, e as duas também não implicaram com a proposta, exceto talvez, por Clarissa, que ficou um pouco preocupada com isso.
Dissemos que se em uma hora eles não nos alcançassem nós iríamos parar e depois disso, se em meia hora eles não aparecessem, iríamos até a polícia pedir ajuda.
E então Paulo foi procurar Roberto...