quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 5

...
- Eu juro Paulo! Era ele! A coisa que eu tinha visto quando estava procurando o mecânico.
- Seja razoável Roberto, não existe isso de imortalidade!
- E se existir Paulo? E se tiver um imortal psicopata atrás de nós?
- Espero que você esteja enganado, então...

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Eu já estava ficando incomodado com Clarissa e Elisa, que ja estavam a ponto de se atacarem.
Mas o clima era tão pesado que uma delas resolveu cortar o silêncio:

- Vou dar uma volta. - disse Clarissa.
- Humpf... - resmungou Elisa.
- Certo, só não vá muito longe ein? - adverti.
- Tá - confirmou Clarissa.
- Elisa? - chamei.
- Não quero conversar. - respondeu.
- Mas Elis...
- Nada de "mas", eu não quero falar com você agora.

Momentos mais tarde, após uns cinco minutos de pequenos diálogos, nos quais eu sempre acabava perdendo para minha falta de iniciativa, ouvimos algo que parecia ser uma voz trêmula e depois um:

- AAAAAAAAH!!! - um grito fora ouvido e ficamos sem reação.

- Que foi isso? - perguntei.
- Não sei, foi um grito, mas terá sido...? - perguntou-se Elisa.
- Espero que não. - respondi.
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- NÃO! NÃO! SOCORRO!
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- Só é ela - disse Elisa
- Ok, certo, eu vou lá e você fique aqui! - disse quase correndo em direção aos gritos.
- Eu é que não fico sozinha aqui. - respondeu Elisa me seguindo.

Corremos até onde acreditavamos virem os gritos, mas nada encontramos.

- Eu ouço vozes! - disse Elisa.
- O que? - perguntei.
- Vozes! Estou escutando milhares, como se fossem criança.
- Denovo essas vozes de crianças?
- É!

Foi então que vimos, iluminado por uma lampada, um grupo de crianças andando e correndo entre os carros estacionado às beiras das calçadas.
Elisa quis ir na direção delas, mas percebeu que eram crianças diferentes das habituais, eu podia sentir isso, elas não faziam barulho, nem quando pulavam.
Então uma delas virou seu rosto em nossa direção, e em seguida parecia que todas haviam nos percebido, então eu disse:

- Elisa, devagar, volte, sem fazer movimentos bruscos.
- Mas o que há? São só crianças!
- Não, por favor, não acredite que são crianças normais.

Então uma delas avançou até um ponto em que a luz iluminava seu rosto, mostrando o que realmente eram.
Não havia nada lá, eram crianças sem rosto. Elisa que estava querendo se aproximar parou de tentar me convencer e lentamente voltamos por onde viemos.
Não sabia ao certo quantos quarteirões haviamos andado, mas ja tinhamos certeza de que estavamos andando muito mais do que deveriamos.
Elisa disse que deveriamos virar à esquerda na próxima rua, mas ao chegarmos lá, nos deparamos com o mesmo grupo de crianças, que desta vez não estavam mais a correr entre os carros, estavam agora, ao que parecia, nos esperando. O medo daquela cena era tão grande que decidimos seguir pelo outro lado, mas quando olhamos para onde iriamos seguir, vimos as crianças, que estavam mais próximas, como se nós haviamos andado na direção delas...

- O que vocês querem de nós??? - gritou Elisa.

Então uma das crianças andou em nossa direção e estendeu a mão para Elisa.

- O que? Você quer que eu segure sua mão? - perguntou Elisa.

A criança respondeu positivamente com a cabeça e Elisa obedeceu.
Então Elisa viu passando na frente de seus olhos a história trágica de um acidente ocorrido 5 quilometro dalí, no teatro em que havíamos saído...

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