Três quarteirões da próxima esquina em que Roberto cruzaria, estava Paulo, procurando por ele.
Paulo notara que as luzes por alí estavam um pouco apagadas, com excessão de uma que estava tão acesa que parecia que ia explodir. Quando entrou no raio de luz deste poste, as lâmpadas dos demais começaram a piscar, lentamente, de forma desordenada, Paulo apenas ignorou e seguiu seu caminho, parando de vez em quando para analisar com mais cuidado o chão para não tropeçar.
Em algum momento, Paulo começou a escutar uma respiração pesada, que parecia alguém que havia corrido na chuva por muito tempo e então ele começou a chamar por seu amigo:
- Roberto? É você? - perguntou para a escuridão, sem obter resposta.
o sussurro parecia ficar cada vez mais alto
- Roberto, se isso for uma brincadeira, não esta sendo muito divertida. Roberto?
e então ele sentiu um bafo gelado em sua nuca e com um susto de quem estava prestes a explodir em medo ele se virou.
Nada, não havia nada atrás dele. Teria sido apenas uma brisa no meio da noite? Perguntou-se. Então Paulo voltou para seu caminho e se deparou com uma mulher vestida com roupas brancas, sujas com um mesclado de sangue seco e sujeira.
Esta mulher parecia querer tocar nele, sua forma parecia a de uma pessoa que cai deitada de lado e estica seu braço, seu olhos eram de agonia e sua boca estava fechada e muito cortada.
Paulo caiu no chão sem reação, estava paralisado, mil coisas passavam por sua cabeça naquele instante.
A forma se moveu até ele de uma forma quase inexplicável, seus olhos, com seus vasos bem visíveis, começaram a sangrar, sua boca se retorcia, como se quisesse falar alguma coisa, seu braço tremia violentamente e seu pescoço balançava como Paulo jamais vira um pescoço balançar, as luzes piscavam violentamente e como se fossem um último suspiro, as luzes estouraram e ao fundo podia se ouvir baixinho um pequeno gemido:

- Salve-se.
Paulo estava encolhido no chão quando algo o pegou .
- SAI! ME SOLTA! SAI, SAI SAI SAI!!!! - gritou Paulo.
- Pare de frescura Paulo - disse Roberto tentando contê-lo.
- ROBERTO? - exclamou Paulo.
- Quem mais seria? - indagou Roberto.
- Eu acabei de ver... era uma... era... o que...? Mas...? Estava alí! - apontou Paulo, para um espaço vazio à sua frente.
- Eu também vi alguma coisa, mas não sei do que você esta falando, então fique de olhos abertos! - disse Roberto.
- Eu ouvi alguma coisa antes de você me encontrar... - resmungou Paulo.
- É? Você se lembra? - perguntou Roberto.
- Não, não consigo me lembrar. - disse Paulo.
- Você se sente observado? - perguntou Roberto.
- Agora que falou, sim... - respondeu Paulo.
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- Faltam dez minutos para dar o prazo deles - avisei.
- Vocês estão ouvindo isso? - perguntou Elisa.
- O que? - perguntei.
- Algumas vozes de... crianças, crianças brincando. - falou Elisa procurando a direção do som.
- Não ouço nada. - respondi - E voce Clarissa?
- Hein? O que você falou? - disse Clarissa que estava devaneando sobre Roberto.
- Estou ouvindo vozes de crianças. - repetiu Elisa.
- Ih! Ficou louca - desdenhou Clarissa.
- Ora sua vag...
- Ei ei ei! Vamos parando com isso! - abafei.
- Você pense bem antes de me chamar de qualquer coisa sua CDFzinha... - rebateu Clarissa.
- Sua burra ridícula, não venha você me insultar, sua babaca! - cortou Elisa.
- Eu vou sair daqui, não saí com o Roberto hoje pra ser insultada por você - terminou Clarissa.
- Já vai tarde. - respondeu Elisa.
- Credo!
- E você, não fala nada! - disse em tom de comando para mim
- *

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