domingo, 1 de fevereiro de 2009

15 de Outubro Parte 1

São Paulo, 15 de outubro de 1995.
Era noite e poucas pessoas eram vistas onde tudo começou.
Elisa, uma de nossas amigas, era uma garota um pouco reclusa, mas não introvertida, apenas uma amiga que não gostava de exibir seus credos aos outros, era ruiva e baixa, talvez uns 1,65m.
Clarissa, uma menina um pouco burrinha, por assim dizer, não sabíamos muito dela, era uma loira alta e muito bonita, mas exagerava na maquiagem.
Paulo, um grande amigo meu, sempre me apoiando em decisões, quase um irmão, era alto, e largo, brincava com ele dizendo que era meio gordo, ele não se importava muito com isso.
Roberto, o namorado de Clarissa, era do tipo "ninguém é mais forte que eu", "eu sou melhor que você"...
E eu lógico, por que não me apresentaria? Sou o Narrador e talvez o único de todos que tenha superado o que passamos...
Estávamos todos saindo de uma peça em um pequeno teatro popular que ficava no centro. Era um lugar um pouco decadente, a vizinhança era... Bem, não era das melhores, mas achamos que não havia problema.
Paulo tinha acabado de ganhar sua carteira de motorista, ele foi o segundo do grupo a ter conseguido, já que Elisa já havia conseguido a sua, estava animado e queria dirigir, mas não deixamos.
O que? Deixar esse “novatão” aí dirigir? Eu é que não entro no mesmo carro que ele.
Elisa dirigiu, eu na frente junto com ela e os outros três atrás.
Andamos uns 3 quilômetros e o carro parou.

- O que houve? - perguntei.
- Porque o carro parou? - Roberto perguntou.
- Eu não se... A gasolina...Acabou. – surpreendeu-se Elisa.
- Como acabou? - indagou Paulo.
- Não sabe que pro carro anda tem que ter gasolina? - disse Clarissa ironizando.
- Fica na sua aí Clarissa, eu abasteci 10 minutos antes de nós sairmos - retrucou Elisa.
- Mas como pode estar no zero? - perguntei.
- Não sei, mas eu quero ver embaixo do carro. - disse Paulo.
- Enquanto isso não acha melhor ligar para CET? - perguntei.
- Ok, eu ligo. - disse Roberto.
- Ih gente, vocês não vão acreditar. - disse Paulo.
- O que houve? - perguntamos.
- Tem um buraco do tamanho de um ovo no tanque de combustível. - explicou Paulo.
- E tem mais, estou sem sinal. - disse Roberto.
- Você queria o que com esse seu tijolo da BCP? - disse Clarissa sacando um telefone não muito menor da bolsa - O meu é mais moderno. Veremos o quão superior é o meu. - acrescentou.
- Eu vou ver se tem algum posto de gasolina ou mecânico aberto por aqui. - disse Roberto.
- Certo, mas tome cuidado pra não ficar em lugares escuros sem alguém perto hein? - disse Elisa.
- Ok, vejo vocês mais tarde. - despediu-se Roberto.
- "Sem sinal”? Como assim? Eu comprei essa droga porque ela me pareceu ser confiável! - desabafou Clarissa.
- Se é assim, acho melhor deixarmos o carro por aqui e voltarmos a pé, amanhã voltamos aqui com um guincho. - disse Elisa.
- Tem algum Metrô por aqui? - Paulo perguntou como quem não queria andar muito.
- Não - respondi.
- Vamos a pé mesmo, vai demorar mas é melhor que dormir na rua. - disse Elisa, tentando dar motivação a todos.
E voltamos a pé até que percebemos que havíamos esquecido Roberto.
Elisa ficou preocupadíssima e queria que todos voltássemos e procurássemos ele, mas Paulo não queria isso, disse que seria melhor que todos seguissem e que ele fosse buscar Roberto.
Eu não fui contra, e as duas também não implicaram com a proposta, exceto talvez, por Clarissa, que ficou um pouco preocupada com isso.
Dissemos que se em uma hora eles não nos alcançassem nós iríamos parar e depois disso, se em meia hora eles não aparecessem, iríamos até a polícia pedir ajuda.
E então Paulo foi procurar Roberto...

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